Do campo à moda: evento no Museu do Zebu debate cadeia do couro
O encontro reuniu produtores, especialistas e representantes do setor para discutir o papel do pecuarista no início da cadeia produtiva do couro, um subproduto que começa a ser definido ainda no campo, a partir do manejo dos animais.
“O couro é classificado e valorizado de acordo com a sua qualidade. Isso tem impacto direto na balança comercial brasileira, já que é um produto exportado para vários países e que gera muitos empregos. Trazer esse tema para debate amplia o olhar sobre a pecuária e sobre o futuro do nosso agro”, comenta Ana Cláudia Mendes Souza, diretora da ABCZ e presidente do Conselho Deliberativo do Museu do Zebu.

A palestra principal foi conduzida pela empresária Jordana Brás, criadora de uma marca uberabense que produz botas e bolsas em couro com cores marcantes, acabamento artesanal e possibilidade de personalização. As peças já circulam por diferentes regiões do Brasil e chegaram ao guarda-roupa de artistas da música sertaneja, como a cantora Ana Castela.
“Minha marca foi pensada principalmente para mulheres autênticas, que gostam de usar botas no dia a dia, mas muitas vezes não encontram a cor que procuram. O diferencial é justamente a personalização. A cliente escolhe o modelo da marca e eu produzo na cor que ela quiser”, explica Jordana.
Antes de se transformar em acessórios de moda, no entanto, o couro começa muito antes da indústria. Durante a palestra, Jordana destacou que a qualidade da pele está diretamente ligada ao manejo do animal na fazenda. Marcação, cuidados sanitários e manejo no curral são fatores que influenciam diretamente no resultado do material.
“É importante conscientizar que o couro é um material sustentável, porque é um subproduto da cadeia da pecuária. O pecuarista é um dos protagonistas no início da cadeia coureira. Valorizar esse trabalho também significa reconhecer uma cadeia que gera empregos e leva o nome do Brasil para o exterior”, afirma.
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Além da palestra, a programação contou com uma roda de conversa sobre “Couro animal de bovinos: interfaces com o bem-estar e a produtividade animal”. O momento reuniu participantes para discutir como práticas de manejo, sanidade e bem-estar impactam diretamente na qualidade do couro e na valorização do produto ao longo da cadeia.
Durante o debate, produtores também compartilharam experiências do dia a dia na fazenda. O grupo Comadres do Agro, um dos apoiadores do evento, marcou presença e levou ao encontro a visão das mulheres que atuam diretamente na pecuária.
“Quando a gente está na fazenda, começa a observar tudo. No meu caso, que trabalho com recria, quando compro um bezerro já presto atenção no couro dele. Quando o couro afina, é sinal de que o animal está ganhando mais peso e produzindo mais arrobas”, comenta Nilva Borges Pedrosa, presidente do grupo.
Para Ana Cláudia Mendes Souza, iniciativas como o Quintou no Museu ajudam a ampliar o debate sobre sustentabilidade e sobre as diferentes cadeias ligadas à pecuária. "Estamos falando de sustentabilidade e de futuro. É isso que queremos para o Brasil: um agronegócio cada vez mais pujante e que mostre a importância do trabalho feito no campo”, finaliza.