ABCZ publica artigo sobre validação de marcadores SNP que fundamenta correção de genealogias nas raças zebuínas
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) publicou, na mais recente edição da Revista ABCZ, o artigo técnico "Estudo de validação dos dados de marcadores moleculares do tipo SNP é aprovado pelo Mapa e dá início à correção de genealogias". O trabalho destaca a validação da confiabilidade do banco de dados genômicos da entidade para utilização na correção de conflitos de parentesco, após aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De autoria de Ednira Gleida Marques, Henrique Torres Ventura, Luiz Antonio Josahkian e Nadson Oliveira de Souza, o estudo confirma a elevada consistência dos dados de genotipagem coletados, organizados e armazenados pela associação, comparando informações já existentes no banco de dados com novas genotipagens realizadas em amostras coletadas aleatoriamente de animais das raças Nelore e Tabapuã.
O resultado obtido foi de 100% de concordância, tanto na análise de todos os marcadores SNP em comum quanto na avaliação apenas dos marcadores recomendados pela International Society for Animal Genetics (Isag) e pelo Mapa.
A validação permitiu comprovar a confiabilidade do banco de aproximadamente 680 mil animais genotipados, que reúne informações principalmente das raças Nelore e Tabapuã, além de outras raças zebuínas, como Brahman, Guzerá e Sindi.
Com a aprovação técnica do Mapa, a ABCZ dará início ao processo de correção das genealogias identificadas com inconsistências. As correções seguirão critérios técnicos, legais e institucionais, e poderão ocorrer tanto pela identificação dos genitores corretos quanto pelo reenquadramento dos animais, nos casos em que a filiação não possa ser determinada.
Para o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian, o trabalho representa mais um avanço no uso da tecnologia em benefício do melhoramento genético.
"O foco da genotipagem nunca foi o de verificação de parentesco, mas sim o de melhorar as estimativas de valor genético dos animais. Ocorre que a relação genética entre os animais é naturalmente realizada ao se construir a matriz de parentesco genômico e, eventualmente, conflitos mendelianos são encontrados”, observa.
“Então, nada melhor do que corrigir o parentesco e reestabelecer a verdade dentro das famílias e linhagens que selecionamos. É simplesmente a tecnologia trabalhando a nosso favor, aperfeiçoando nossos métodos de seleção, onde todos ganham: criadores, a associação, o mercado e, especialmente, as raças.”
Por sua vez, o superintendente adjunto de Melhoramento Genético da ABCZ, Henrique Torres Ventura, destaca que a correção das genealogias contribui diretamente para a precisão das avaliações genéticas.
"A grande importância desse trabalho é a correção de genealogia, que traz a possibilidade de se ter predições mais acuradas dos valores genéticos. É importante destacar que, comparado aos resultados obtidos em diversas raças no mundo inteiro, o percentual de erros de parentesco observados na ABCZ é muito menor, o que indica grande qualidade no processo de registro genealógico", conta.
Os dados observados pela pesquisa reforçam, portanto, a qualidade do trabalho desenvolvido pelo Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ) da ABCZ.
Já a superintendente de Genealogia da ABCZ, Gleida Marques, ressalta o compromisso da entidade com a segurança técnica do processo.
"Sabemos que o processo de correção de genealogias é complexo e exige responsabilidade, critério técnico e total transparência com os criadores. No entanto, a partir do momento em que inconsistências são identificadas por meio de ferramentas científicas confiáveis, temos o compromisso de buscar as correções necessárias, sempre com respaldo técnico, legal e institucional.”
“Nosso objetivo é restabelecer a verdade genealógica, contribuindo para o melhoramento genético, a valorização dos rebanhos e a evolução das raças zebuínas", pontua.
O artigo detalha a metodologia utilizada no processo de conferência dos dados, os critérios científicos adotados, os resultados obtidos, bem como os próximos passos para a implementação das correções genealógicas.
Leia o artigo completo na nova edição da Revista ABCZ: https://www.abcz.org.br/revistas/revista/130/abcz-revista---numero-129---janeiro---fevereiro---marco---abril.